"as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas"

"Da vez primeira em que me assassinaram, perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, foram levando qualquer coisa minha. Hoje, dos meu cadáveres eu sou o mais desnudo, o que não tem mais nada."

Mário Quintana

"O pior do fim dos amores não é o fato do fim em si. O pior de um antigo amor é a ternura inevitável das lembranças. Com cheiro de armário nas recordações, deixo aqui, quase as 5 horas da madrugada do primeiro dia do mês onde começa a primavera, um assovio da nostalgia. Espero o se misturar o cheiro dos amores antigos com as flores que hão de vir. Enquanto espero, finjo te dar o adeus não dado. Um antigo amor é, pra sempre um adeus não dado.”

Leo Fressato

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Não entendia a necessidade que eu tinha dos cigarros, por vezes questionava a utilidade de colocar a fumaça na boca, sem ingerir, e soltar logo em seguida - você não fuma, só finge - em seguida, inspirava as toxinas e soltava pelo nariz feito um dragão em sua direção. Sempre tive a morte como renovação enquanto alguns passavam dias modelando seus corpos já tão magros em academias da cidade, não tenho paciência pra suicídio - não o julgo, de forma alguma - mas quem aprecia o caos não foge do mesmo, convive de forma lícita diante dessa realidade tão abrupta. Fumo pra sentir a pressão sanguínea baixar e ela logo cai diante do precipício, a minha pose diante dos amigos é a melhor possível, mal sabem que mal aguento um só cigarro - é dessa destruição que falo - da mão que congela e a tremedeira instalada por todo corpo, os olhos vão ganhando flashes negros dependendo da quantidade de fumaça ingerida, a cabeça fica rodando e por fim, entendo que os prólogos da morte são de fato mais adoráveis que o fim.

Fumo por saber que cigarros não matam mais que o dia-a-dia, não matam mais que aquela despedida, eles só sujam a roupa presente em um corpo já tão infestado pela vida.

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Lucas Truci.

“Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar. Por isso o meu verso tem esse quase imperceptível tremor. A vida é triste, o mundo é louco! Nem vale a pena matar-se por isso. Nem por ninguém. Por nenhum amor. A vida continua, indiferente…”

Mário Quintana

(Source: indubio)

Ela vai pra sempre ser a única mulher que amei.
Meu vício por corpos masculinos acabou nos destruindo, digo, a destruiu - mas algo aqui dentro também morreu, não que eu sinta falta, mas morreu e deixou vago - sem preenchimento, não me cabem substituições. Ela finalmente partira, sem insistências póstumas ou resistências, foi e não voltou, superou o vício de tentar insistir em nós dois quando o fim já era mais que anunciado. Pode ter sido o melhor pra ambos, nem mesmo o excesso de maços de cigarro apodreceria aquela alma, mas sentia a todo momento os germes cancerígenos que meus lábios passavam pra ela enquanto nos beijávamos. Nunca mais darei sinais de vida à moça, reconheço meu lugar ao “hell” e vitimização nunca foi uma das minhas características, mas por mais que não houvesse reconhecido e dito, digo, berrado naquele parque histórico onde trocávamos carícias e palavras sacanas, agora o falo: amei aquela cabocla desde o dia em que a vi pela primeira vez, lembro dos seus longos cabelos castanhos caindo feito as cataratas de Foz, assim como também lembro da bolsa rendada que ela carregava transpassada pelo corpo. Tínhamos tudo para dar certo, exceto o fato de eu ser “eu” e ela ser o “todo”, enquanto ela buscava a resolução dos nossos problemas eu só tinha olhos aos meus problemas pessoais, às pirocas que ansiava chupar e à barba que me descontrolava de uma forma tão única - a perdi -, não mais escutam as preces que por ventura também não as clamo - o fim conforta mesmo quando o coração não suporta.

Lucas Truci.

caminha ao meu lado e me diz quantos deuses derrubamos, quantos homens amamos, quem ficou pra trás. caminha ao meu lado e me diz porque caminhamos tanto se o coração é um não-lugar, se desejo é um não-lugar, e me conta histórias cheias de fúria sobre os limites do universo. caminha ao meu lado e me conta repetidamente porque dois corpos, ainda que separados, caminham juntos. 

"ele vem sempre como se fosse catastrofe em meio a um céu que antes era azul, arremessa aquele corpo pardo - ébano, lindo - com seus lábios grossos, braços largos e o melhor abraço, este, por último, vira porto - desabo - dentre as inconstâncias, desabo, desatino em um beijo desesperador. cheio de tiques e milindres, gosta de ajeitar os tênis mesmo não sabendo andar em linha reta. o vento sempre parte meu cabelo feito o do zacarias e eu explodo de raiva - ele ri -, por um momento o odeio, um momento efêmero, quase imperceptível. mas se perguntam o que me faz feliz, não há resposta em “formato palavra”, há dois olhos escuros, uma boca e aquele sorriso."

Lu.

não se desespera porque depois de uma noite não dormida vem a manhã, e nas manhãs não há tempo para choro ou desespero. não se desespera porque o céu não vai cair sobre as nossas cabeças, e se cair, ele vai nos absorver, amor, ele vai nos absorver na sua infinitude e nós seremos infinitos também. embora nós já sejamos. não se desespera porque o fogo não vai nos matar. o que mata é o fogo nos olhos que nos encaram tão ferozmente. mas nossa blindagem é a falta de atenção com eles. amor, não se desespere porque o ódio só nos fere quando nós o olhamos e o absorvemos. não olhe. feche os olhos e enxergue a sua alma enquanto eles não tem alma e invejam a sua. não dê espaço ao desespero, o que te faz seguir não são seus pés, é o seu coração.

(Source: orbita-perdida)