"as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas"

o céu pesa e não cai. eu penso e não falo. aqui nada nunca para, e eu tenho tanta coisa pra fazer. como eu vou conseguir andar com esse peso na minha cabeça? ninguém nem pede pra segurar minha bolsa no ônibus, quem em sã consciência vai dividir o peso de existir comigo? 

(Source: r-eciprociar)

"O que eu gostaria de fazer é um livro sobre nada. Mas o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amanhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc, etc. O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use o abandono por dentro e por fora."

Manoel de Barros.

(Source: oxigenio-dapalavra)

"Acho que no fundo somos sempre sós. Pode ser que você encontre um amor, um punhado de amigos, o conforto familiar. Mas ninguém te livra dos pesos da vida. A gente nasce e morre sozinho. E tudo bem, tudo bem, não tem drama nenhum nisso. É claro que é bom ter gente pra rir e chorar, mas entenda: no fundo é sempre você. E você."

Clarissa Corrêa. 

(Source: terminar)

"Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Alguns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas."

Rita Apoena.

(Source: velhocaos)

A cena mostra ambos deitados na mesma cama, vestidos, conversando, quando começam a apagar lentamente, vencidos pelo cansaço. Antes de sucumbir ao mundo dos sonhos, ele ainda tem o impulso de tocar nela, que está ao seu lado, em posição fetal. Pousa, então, a mão no pé dela, que está descalço. E assim ficam os dois, de olhos fechados, capturados pelo sono, numa intimidade raramente mostrada no cinema.

Hoje, se você perguntar para qualquer pré-adolescente o que significa se divertir, ele dirá que é beijar muito. Fazer campeonato de quem pega mais. Beijar quatro, sete, treze. Quebram o próprio recorde e voltam pra casa sentindo um vazio estúpido, porque continuam sem a menor ideia do que seja um encontro de verdade, reconhecer-se em outra pessoa, amar alguém instintivamente, sem planejamento.

Martha Medeiros.

ela me disse das importâncias todas daquelas fotografias
mas eu não conseguia entender
os melhores momentos não estão nas fotos
estão nos seus neurônios, correndo por sinais elétricos em busca da eternidade da sua memória.

mas ela disse que eu era um fracassado
e eu aqui, emocionado, lembrando do quanto fui feliz

jack

(Source: berrlin)

No meio dos olhares tímidos que se abraçam com frio, com medo, com pavor de outro coração vertendo menos que flores, eu me consolo sem as suas digitais que não manchariam as minhas. Mas que se confundiriam, porque o meu desenho amaria a sua arte. “Eu te amo”, foi o último verso dessa nossa poesia nada parnasiana. Você gostava do meu cabelo pesado, dos meus cílios leves e até das minhas alucinações quase neutras. Você gostava das minhas dores que não gesticulavam, mas também do meu silêncio quase profano. Eu nunca tive a inocência dos seus sorrisos, sunshine. Eu nunca tive a incolumidade dos seus desesperos. Até seus gritos sempre pareceram sussurros se preocupando com o barulho inexato. No meio das omissões, Chico parece bom, Vinícius é amante e Leoni, sedutor, mas o silêncio já fora mais bonito porque eu tinha o poder sobre a sua voz. Me dizendo que eu consigo entrar nessa neura alter ego e ser tudo, mas ainda assim ser sua. Me abraço pequena porque não posso te abraçar grande. Vejo os desafios que chegam com a paciência de um autista e ainda quero enxergar suas lutas que brigavam feito crianças no pré-escolar. Eu preciso de um intervalo recreativo me fazendo lembrar que alguns minutos duram a eternidade, e a eternidade durou alguns minutos só porque eu te escrevo. Minhas palavras não são cruéis, mas esse silêncio oportuno é. Foi tão feliz você se rodopiando em volta de mim como se eu não pudesse ficar tonta porque minha solidão é torta. Não se preocupa com isso. Minhas mãos estão mais brancas que antes e tudo bem se ninguém fez fluir meu sangue pra que ficassem rosadas. Você sabe que eu não gosto de rosa, mas eu tentaria só porque a pureza das suas sementes lembra a raiz que fincou em mim. Me dá sua sombra. Me dá sua luz, black angel. Eu trocaria todas as lâmpadas da casa só pra não te ver no escuro, mas mesmo que eu pegue os bancos da mesa da sala e da área, é só isso que eu tenho: sua imagem holográfica no quarto fechado por causa dessa distância aberta. No meio das nostalgias, um filete de passado se presenteando. Me embala, mas não me entrega assim.

(Source: retrovisor-soluvel)

"É somente na proporção do mundo, quando os monstros saem às ruas pra caçar olhos que brilham diante do amor, que posso vir a me doar de imediato. Basta que eu te veja e as crises epiléticas desabem corpo abaixo, basta um pequeno sorriso em escala assimétrica ao coração que bombeia mais e mais vezes, pulsante, respondendo à somente uma voz, a tua voz."

lucas truci