"as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas"

não se desespera porque depois de uma noite não dormida vem a manhã, e nas manhãs não há tempo para choro ou desespero. não se desespera porque o céu não vai cair sobre as nossas cabeças, e se cair, ele vai nos absorver, amor, ele vai nos absorver na sua infinitude e nós seremos infinitos também. embora nós já sejamos. não se desespera porque o fogo não vai nos matar. o que mata é o fogo nos olhos que nos encaram tão ferozmente. mas nossa blindagem é a falta de atenção com eles. amor, não se desespere porque o ódio só nos fere quando nós o olhamos e o absorvemos. não olhe. feche os olhos e enxergue a sua alma enquanto eles não tem alma e invejam a sua. não dê espaço ao desespero, o que te faz seguir não são seus pés, é o seu coração.

(Source: orbita-perdida)

meus vulcões: erupção catastrófica.
meus processos erosivos: peito poroso.

(Source: peitomorto)

Com aquela cara de homem fingindo estar interessado no papo de uma mulher apenas porque está com vontade de comê-la, com aquela cara de mulher costurando e bordando pensamentos apenas porque está a fim de ser comida por ele, cheguei, caprichei, relaxei, lembrei tudo que tinha aprendido em Kant e Hegel, repassei toda a teoria dos quanta, a morfologia dos contos de magia de Propp, o vôo do 14-bis, cheguei e não perdoei:

— Tem fogo?

                                              LEMINSKI, Paulo. Agoras é que são elas.

(Source: paulo-leminski)

Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma,
esse conto de fada. 

Paulo Leminski

(Source: c-a-n-a-r-i-o)

o céu pesa e não cai. eu penso e não falo. aqui nada nunca para, e eu tenho tanta coisa pra fazer. como eu vou conseguir andar com esse peso na minha cabeça? ninguém nem pede pra segurar minha bolsa no ônibus, quem em sã consciência vai dividir o peso de existir comigo? 

(Source: r-eciprociar)

PRÓLOGO

           Santos, litoral de São Paulo, 24 de setembro de 2013 – um corpo é encontrado com o tórax aberto do esôfago à virilha, os órgãos vitais são depositados em potes semelhantes aos usados pelos antigos egípcios durante os rituais de mumificação, mas o que chamou a atenção dos médicos legistas e da perícia paulista foi o fato da vítima ter tido seus cabelos cortados rentes ao couro cabeludo e meticulosamente depositados por cima dos pulmões expostos ao lado. Estes, por sua vez, possuíam cinzas e guimbas de cigarros amassados em sua superfície, quem quer que tenha cometido tal atrocidade, deixou sua assinatura.

| Em breve, Lucas Truci |

transei com Drummond ontem a noite, no terceiro capítulo já estávamos suados. a vida primitiva me permitia tal concessão, eu gosto. eu gostei das suas exclamações e os vestígios da vida madura, da alma contrita, da sua armadura - que nem existe. ele sorriu algumas vezes, eu até sorri de volta, mais precisamente no meio do oitavo capítulo quando ele me declarou amor. amor de poeta é sempre uma sacanagem, mas nas almas vãs e vadias do mundo, quem não há de querer? e não houve o tom agudo, o sussurro impregnava as veias e vértebras que preexistem em mim, seguimos. dois meses depois, ao rubor do amor vadio que tivera, eu ainda o amava. esse amor de poeta, sempre sacana…

s.

"É isto que amamos nos outros: o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias. Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe. Como seria bom se as outras pessoas fossem vazias como o céu, e não tão cheias de palavras, de ordens, de certezas. Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu, onde podemos fazer voar nossas fantasias como se fossem pipas."

Rubem Alves.

(Source: momentos-so-meus)