"as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas"

num resto de pele. eu me sinto. com você. num resto de pele, que é como uma asa transparente de fada foda, eu simplesmente me sinto. e é você que faz isso. fada foda. que me olha sem olhar. num maldito clichê de não com não. sabendo que, ao não me olhar, acaba olhando. você me olha. eu não acredito. e só me sinto.   

- J.Castro

não. sério. por favor. não faça isso. não entre em contato comigo. não agora. você me viu ali, na janelinha do não sei o quê. tudo bem. mas não me veja. não me chama. não faça isso. que tipo de maldade é essa? você é suja. você aparece. mas deveria evaporar. puf. vapor imundo. não. por favor. não me venha. eu me mudo. não se vá. eu me mudo.

- J.Castro

sobre a palestina, sobre a insatisfação.

me preocupo com as crianças que estão sem família.
me preocupo com as famílias que estão sem as crianças.
me preocupo com as pessoas que são comunicadas a deixar suas casas, sem ao menos terem para onde ir.
me preocupo com os médicos que se afastaram de suas vidas, para salvar outras.
me preocupo com os jornalistas que sumiram, e os que estão se mantendo firmes e fortes para espalhar a verdadeira informação ao mundo.
me preocupo com o egoísmo excessivo duma nação.
me preocupo com o extremismo.
me preocupo com o fanatismo.
me preocupo com o acumulo de capital totalitário e sem bases morais.
me preocupo com israel desenfreada e a palestina movimentada por destroços solitários.
me preocupo com as mortes.
acho que morre um pouco de mim todos as vezes que abro o jornal e vejo:”mais quatro mortes, mais dezessete mortes, mais guerra, guerra, guerra…”.
morri quando vi a população ignorando tamanha tristeza. 
morri quando me vi impotente. 
morri quando só me restava morrer.
como eles quiseram.
como eu li nos olhos fotografados:
tamanho descontentamento.
tamanha injustiça.
falta de entendimento.
mas continuo torcendo.
continuo rezando.
continuo veementemente tentando.
há uma parte de mim que não me deixa fechar os olhos, que não me deixa fingir. 
o amor que ainda guardo no peito.
só amor poderá restaurar a vida;
palestinos e israelenses, 
jornalistas e médicos,
soldados e comandantes,
políticos e civis,
religiosos e fiéis;
o amor vai ressuscitar em esperança. 

(Source: impressionismo)

estamos numa corda bamba sem platéia, você sabe o que isso significa? eu te vejo do meu lado, você reflete meu olhar: estamos com medo. um passo em falso e caímos, uma palavra errada e sofremos. contudo, insistimos e somos, e sonhamos, e vivemos. assim mesmo. uma hora a gente se acostuma, a gente diz que ama e faz promessas no pra sempre de amanhã. não olha pra baixo, olha pra frente. você balança daí, eu balanço daqui. me dá a mão, o outro lado é longe, mas a vista é maravilhosa. vem comigo.

s.

(Source: nocturnaluz)

E ri como quem tem chorado muito.

Fernando Pessoa

(Source: beocio)

"Tudo bem, passarinho. Às vezes é preciso mesmo ir embora, ou nunca ter pousado para respirar. Eu te entendo agora. Entendo que você se debate contra as normas e não inspira esperança todos os dias. Entendo que teu peito está seco e sua voz não ecoa como devia, que os dias podem pesar e seus sentimentos podem não entender os meus. Tudo bem. Eu digo que vai passar, que todas as coisas passam e que nada dura para sempre ou arde para sempre ou queima para sempre. Eu espero que você compreenda todo o amor que eu roubei do mundo e de todo resto para dar à sua vida, aos seus traumas e à sua dor. Todo o amor que eu inalei este tempo todo e só saltei na sua narina, no seu rosto calmo e nos seus pés ainda bambos. Espero que entenda que eu te dei um amor puro de toda violência, de todo estupro e de todo carma. E que ele era bom, era tranquilo, era inteiramente completamente e absurdamente teu. Tudo bem, passarinho. Hoje assimilo que a melhor forma de obter, é deixar ir. Uma vez te disse que quem deixa ir tem pra sempre. Então eu te deixo. Vai sua vida, pássaro contente. Vai sua vida que eu estarei contigo."

Floresinexatas.

(Source: floresinexatas)

"Sentado num bar próximo a casa de Anne Frank. (Prinsengracht 263-267, 1016 GV Amsterdã, Holanda) Começam a tocar o Blues da Piedade. “Agora eu vou cantar pros miseráveis, que vagam pelo mundo derrotados…” Maldito Cazuza, lembrei das palavras que ela me disse pouco antes de partir. “Querido, sorte tem quem morre cedo. Encontra a tão sonhada paz deixando a agonia para trás, alcança a grandeza de espírito e não é mais obrigado a aturar esse mundo tão lotado de vazios. Coragem querido.” Dito isso, ela morreu em meus braços. Onde foi parar a piedade? Peço uma dose de whisky pra cada lágrima de saudade."

Amsterdã, 1957. 

(Source: sereno)

você é um caos, sabia? mas não dos belos caos universais, é o caos feito a fome, a miséria e todas as outras desigualdades. me faz questionar o porque de nunca te deixar ir de vez… adora um charme com esse piercing no septo, faz gracinha com esses cachos, titubeia e dá ao entender que vai me beijar… mas não faz nada além de sorrir ao chão.

odeio a sensação de impotência, odeio a sensação que é você - odeio gostar dos teus olhos claros, tal como amo odiar você

“Então compreendi perfeitamente o que gerava a dor. Não era o corte com a ponta da faca, a topada na quina da cama, o amigo que não liga mais, o café que sujou o fogão, as palavras duras, as notícias na tv, obviamente isso soma-se ao fardo, mas não é ele em si. A dor era gerada pela sede insaciável do nada. Pois quando não se tinha o que queria sofria e quando conseguia almejava outra coisa para sofrer. E é por essa sede que os humanos consomem seus dias, pelos futuros que nunca virão ou que serão fadados quando chegarem. E a maior idiotice era perceber: eu também era um desses tais que nunca estava de barriga cheia.”

Fernando Pessoa.

(Source: excretar)